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A educação ao longo da vida: uma nova maneira de encarar o ensino e aprendizagem


Todos os dias há alguém, algum fato, alguma tecnologia nos lembrando que o mundo está em constante mudança. Com o advento das tecnologias da comunicação e informação acompanhamos o volume de informações que circulam sobre os mais diversos temas e acontecimentos. Podemos encontrar livros, podcasts, palestras, videoaulas, cartoons sobre qualquer tema que tenhamos interesse. Desde espiritualidade até como consertar sua máquina de lavar roupas. Com o avanço das possibilidades de conexão e capacidade de distribuição de conteúdo proporcionada pela Internet, observamos a possibilidade tanto de acesso quanto a produção de conhecimento. Esse fenômeno trouxe encantos aos processos educativos. E muita pesquisa se produziu sobre esse novo modo de se relacionar com o mundo, com o conhecimento historicamente acumulado e com as pessoas. No início dos anos 2000 vivemos a euforia de pensar que nossos problemas educacionais, déficits de qualidade, estariam todos resolvidos. Vivemos a ilusão de que tudo estaria organizadamente disponível na segurança de um servidor, ou vários servidores, que dada a sua imaterialidade, esse lugar mágico chamado ‘nuvem’.


Como o desenvolvimento humano não se dá no isolamento, aos poucos as redes sociais foram ganhando força. Os Blogs, Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn, Twiter e outras comunidades foram se configurando como espaços de encontros, de armazenamento de conteúdos e difusão de conhecimentos compartilhados. E é graças a esses espaços que o que pensamos, escrevemos, gravamos, registramos no interior de nossas casas, às vezes com pouca pretensão, pode tocar um público inalcançável se não fossem os recursos tecnológicos disponíveis.


Em tese, todos que tiverem acesso aos recursos tecnológicos pessoais (como computadores e smartphones) e coletivos (como banda larga) terão seu passaporte de acesso a esse mundo digital de conhecimento. Dizemos em tese porque, dadas as características de desigualdade na distribuição dos bens de consumo e culturais em vários países, podemos afirmar que ainda há um fosso importante que divide as populações, e não podemos nos esquecer de que o que está disposto nessa reflexão não está desconsiderando o desafio da universalização dessas oportunidades. O foco dessa reflexão é destacar as potencialidades presentes cultura do mundo digital para a promoção de uma aprendizagem constante, ao longo da vida de cada um.



Lifelong Learning


Com o advento da expansão dos espaços de armazenamento de conteúdos, de compartilhamento de experiências e relacionamento, a expressão Lifelong Learning consolidou a teoria de que os processos de aprendizagem e desenvolvimento são contínuos. Diferente dos conceitos de educação presentes até o final dos anos 90 do século passado, que traziam como padrão que a conclusão do curso universitário se caracterizaria como o fim de uma vida de formação e busca pelo conhecimento,


o conceito de Lifelong Learning veio para dar ênfase a um novo modo de se relacionar com o conhecimento no mundo digital: não há um fim para o processo de aprendizagem, ele ocorre enquanto estamos vivos e em interação com o mundo.

Isso não quer dizer que na vida pré cultura digital a aprendizagem se encerrasse ao final da vida universitária pois a aprendizagem contínua durante a vida é uma característica inerente a todos os seres humanos. Mas quer se contrapor aos conceitos de aprendizagem que focavam inserção no mundo do trabalho e consolidação de uma carreira profissional no mundo pré digital, que determinavam um fim na formação.


Esse movimento ganhou força basicamente por 2 motivos. O primeiro pela possibilidade que as tecnologias trazem de acesso e produção contínuo de conhecimentos, por qualquer pessoa. No mundo pré digital o conhecimento era basicamente armazenado em livros e em enciclopédias e havia pouco ou quase nenhum espaço para conhecimentos advindos de experiências cotidianas das pessoas, e a tecnologia digital reverte esse conceito, tornando potencialmente todos produtores de conhecimento. O segundo motivo refere-se à velocidade em que as tecnologias digitais foram se desenvolvendo, provocando a necessidade de um contínuo acompanhamento de seus avanços. Era necessário aprender a todo momento as novas ferramentas, plataformas, tecnologias e com isso as novas maneiras de ler e interpretar o mundo e as relações entre as pessoas que também estavam sendo impactadas por essa cultura, sob o risco de estar alijado desse mundo.


Com esse conceito incorporado, a percepção sobre educação das pessoas de modo geral, e dos educadores em particular, foi sendo reconfigurada exigindo que as práticas tradicionais de ensino fossem repensadas a partir de um novo conceito de aprendizagem. Modelos pedagógicos que privilegiam centralização de conhecimento são contrapostos por modelos que estimulam a cooperação, colaboração e diálogo. As certezas são substituídas por incertezas e dúvidas epistemológicas que provocam uma mudança nos processos de interação entre educador e educando. Um novo papel é exigido dos educadores que deixam de ser detentores dos saberes, para serem mediadores na construção de conhecimento que se dará pelo diálogo.

Os espaços educativos passam a ser lugares de encontro, de debates e reflexão. E podem não ser mais espaços físicos, mas espaços digitais, ambientes virtuais de aprendizagem, onde os interesses se encontram, independente do lugar físico ou da hora. Barreiras do tempo e dos espaços físicos são quebradas, permitindo que grupos localizados em diversos locais do mundo possam se encontrar, compartilhar suas experiências.


Esse fenômeno foi alcunhado de globalização e, como todo fenômeno relativo às relações humanas, tem suas características boas, como a possibilidade de conhecer outras culturas, e outras não tão boas, como a possibilidade de outras culturas interferirem tão radicalmente na nossa cultura que a descaracteriza a ponto de dominá-la.


Por isso, as exigências com relação às novas metodologias de ensino têm trazido a preocupação constante de promover, simultaneamente à aprendizagem de conteúdos, a aprendizagem da capacidade de cada indivíduo realizar uma avaliação crítica dos conhecimentos adquiridos, compreendendo o papel de cada aprendizado na sua vida, e como cada novo conhecimento adquirido pode ajudá-lo a se tornar um profissional mais qualificado e capaz de tomar decisões adequadas rumo ao seu próprio desenvolvimento e do seu lugar de vida. E principalmente, como se tornar um ser humano melhor, consciente de seu papel no mundo e na vida daqueles com quem convive.


Um exemplo disso é retratado na pesquisa 2019 Workplace Learning Report do LinkedIn na qual nos mostra que cada vez mais as novas gerações desejam uma aprendizagem totalmente auto-dirigida e independente, e que 74% dos colaboradores querem aprender durante o tempo livre no trabalho.

Muitos eram e ainda são os desafios. Há pouca possibilidade de termos certeza de como o mundo em geral, e o mundo do trabalho em particular, será daqui a 20 anos, tempo aproximado de formação na primeira etapa da vida de um estudante que ingressa na educação infantil em 2020. Tendo como referência esse cenário, os investimentos que forem feitos na educação básica ou na educação continuada de todos os profissionais que atuam nas diversas formas de trabalho, devem privilegiar o estímulo à uma aprendizagem contínua, a partir de situações que promovam a autonomia de cada um na busca de seus desenvolvimento pessoal e profissional.


Podemos afirmar que o sucesso de cada uma das organizações que empregam trabalhadores depende de uma visão de desenvolvimento que considera seu colaborador na sua integralidade e a sua organização como um espaço de desenvolvimento individual e coletivo, que impacta na vida e no cotidiano das pessoas aos seu redor.

Há muitos caminhos que podem ser trilhados. E há temas urgentes trazidos pela pandemia COVID-19. Podemos não saber exatamente como será o futuro em relação ao desenvolvimento científico e tecnológico. Mas podemos afirmar, que seja qual for, há um desejo forte de que o mundo seja mais harmonioso, justo, com mais oportunidades de desenvolvimento para todos. E essa construção pode começar dentro da nossa casa e do nosso local de trabalho. Pode começar pelos grupos nos quais estamos inseridos. A história não é um dado à priori, ela é construída por cada um de nós, ao longo de toda nossa vida.


Mônica Gardelli

Head of Digital Learning

monica@rokkets.digital




Mônica Gardelli é Doutora em Educação pela PUCSP. e possui 35 anos de experiência na área de educação com foco no uso de tecnologias para democratização de processos de desenvolvimento individuais, sociais e profissionais. Têm ampla experiência gestão executiva de programas educacionais de larga escala no setor privado e público.


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